Dia Mundial da Água – “Água para a Vida”

Desde 1993 que todos os anos a 22 de Março é assinalado o Dia Mundial da Água, como tal, e visto que um dos objectivos do Ideias Ambientais é contribuição para o desenvolvimento sustentável, não podíamos deixar passar esta edição do nosso artigo, sem falar um pouco sobre o flagelo que tanto nos tem atingido a escassez dos recursos hídricos.

O Dia Mundial da Água nasceu com a resolução A/RES/47/193 das Nações Unidas de 22 de Dezembro de 1992. Desde esta altura todos os anos o dia 22 de Março é pautado com várias iniciativas nacionais e internacionais com o intuito de sensibilizar o público em geral para a necessidade de conservação dos recursos hídricos. É neste sentido que o Ideias Ambientais espera deixar nesta newsletter um contributo, por mínimo que seja, para esta força mundial que todos os anos se reúne em torno desta temática.

Uma das noções que se considera ser necessário reforçar é que a água não é um recurso inesgotável. Assim sendo, o Ideias Ambientais, não vai falar dos problemas e dificuldades existentes para a conservação deste recurso natural, mas sim apresentar razões para o convencer e alertar para o cenário presente e futuro.





Já alguma se perguntou ou pensou nas diversas utilidades da água. Esta está presente nas nossas vidas das mais diversas formas, tais como, na alimentação, na higiene pessoal, em actividades recreativas, na produção de electricidade, na produção de bens, na construção de casas, entre outras. A água está presente ainda antes do nascimento, na protecção do embrião, ao longo da vida na manutenção das nossas células e do funcionamento do nosso organismo. Sabia que cerca de 90% do corpo de um recém-nascido é composto por água. Agora diga se precisa de mais alguma razão para a começar a preocupar-se com a água e com a sua conservação?

Bem se ainda não está convencido saiba que, sem água nenhuma espécie animal ou vegetal sobreviveria, ou seja, a vida não existia. O nosso corpo e os nossos alimentos são constituídos de cerca de 70% por água. A água nos seus diversos estados (sólido, líquido ou gasoso), ocupa cerca de 75% da superfície da terrestre. No entanto, estima-se que de todo o volume de água existente, apenas 1% está disponível para utilização, ou seja, cerca de 99% está distribuída por mares e oceanos e calotes polares.





E agora já está convencido de que temos que preservar?

Apesar de o ser humano apenas dispor de uma pequena parcela de água potável, para as mais diversas utilizações, não tem demonstrado respeito por este recurso considerando, que estas sofreram uma diminuição drástica nos últimos 50 anos, em cerca de 62%. Esta diminuição em termos quantitativos e qualitativos deve-se essencialmente ao crescimento demográfico e desenvolvimento industrial, com a consequente descarga desmesurada de efluentes domésticos, industriais e agro-pecuários. Este aspecto reflecte-se com especial incidência nos países em desenvolvimento onde cerca de 90% dos efluentes são descarregados sem tratamento. Não será então muito difícil de imaginar porque é que são estes países que sofrem mais com a enfermidade da escassez de água.





É por causa desta debilidade que nas últimas décadas têm sido construídas obras de engenharia para criar reservas de água para consumo humano e para a tratar (ETAR’s - estações de tratamento de águas residuais). No entanto, na maioria dos casos, os poluentes presentes nas águas residuais não são totalmente eliminados, pelas mais diversas razões, tais como, deficiente funcionamento do sistema de tratamento, caudais pontuais com uma carga poluente excessiva, má exploração do mesmo ou mau dimensionamento e até mesmo porque por insuficiente dos tratamentos. É por isso que a legislação estabelece parâmetros de qualidade mínimos (VLE – valores limites estabelecidos e os VMA – valores máximos admissíveis), o que quer dizer que mesmos os efluentes tratados são sempre devolvidos à natureza com alguma carga poluente. A estipulação destes valores é sempre tendo em conta a inexistência de efeitos na saúde humana, ou seja, por exemplo, VMA é o valor máximo admissível até ao qual a sua ingestão não provoca efeitos na saúde humana.

Se a estes factores associarmos também a percentagem de água que é perdida devido a fugas, ligações ilegais, desperdícios que nos países em desenvolvimento representa cerca de 50% da água para beber e 60% da água destinada para a irrigação.

Em 2002, cerca de 40% da população mundial enfrentava problemas de escassez de água, com 1100 milhões de pessoas ainda sem acesso a água potável e 2400 milhões sem saneamento básico.(1)





Com todos os argumentos apresentados neste pequeno texto, pensamos ser fundamental que as sociedades se consciencializem da escassez da água e à diminuição da qualidade da ainda disponível, enfrentando este problema com a optimização dos tratamentos e utilização eficiente. No entanto, não são apenas as industriais que têm de se adaptar e procurar força mais eficientes de tratamento dos seus efluentes, todos os cidadãos desempenham um papel importante na luta contra esta enfermidade.

Não nos podemos esquecer que é nos pequenos gestos que está a nossa força!

Actualmente, a descarga de um autoclismo num país desenvolvido utiliza o mesmo volume de água que um habitante de um país em desenvolvimento consome, em média, num dia inteiro para a sua higiene, limpezas e alimentação.

(1) EUROSTAT – Environment Statistics


Carta da Água

Proclamada pelo Conselho da Europa em Maio de 1968

I.Não há vida sem água. A água é um bem precioso indispensável a todas as actividades humanas.

II.Os recursos hídricos não são inesgotáveis. É necessário preservá-los, controlá-los e, se possível, aumentá-los.

III.Alterar a qualidade da água é prejudicar a vida do homem e dos outros seres vivos que dela dependem.

IV.A qualidade da água deve ser mantida em níveis adaptados às utilizações e, em especial, satisfazer as exigências da saúde pública.

V.Quando a água, após ser utilizada, volta ao meio natural, não deve comprometer as utilizações que dela serão feitas posteriormente.

VI.A manutenção de uma cobertura vegetal apropriada, de preferência florestal, é essencial para a conservação dos recursos hídricos.

VII.Os recursos hídricos devem ser objecto de um inventário.

VIII.A eficiente gestão da água deve ser objecto de planos definidos pelas autoridades competentes.

IX.A salvaguarda da água implica um esforço muito grande de investigação científica, de formação técnica de especialistas e de informação pública.

X.A água é um património comum cujo valor deve ser reconhecido por todos. Cada um tem o dever de a economizar e de a utilizar com cuidado.

XI.A gestão dos recursos hídricos deve inserir-se no âmbito da bacia hidrográfica natural e não no das fronteiras administrativas e políticas.

XII.A água não tem fronteiras. É um bem comum que impõe uma cooperação internacional.




Autores do artigo : Catarina Martins
Fotografias: António da Cunha e Mário Martins
Data: 06/03/06
E-mail: c-martins@netcabo.pt, e amvdacunha@sapo.pt, mario-martins@netcabo.pt



Semanalmente teremos novos artigos de ambiente, cujos conteudos, gráficos, imagens, referências, serão sempre da responsabilidade dos autores.

Você poderá participar enviando-nos ideias ou assuntos que gostaria de ver aqui.

Contacte-nos através do meu e-mail info@ideiasambientais.com.pt