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Compostagem : Resíduos Urbanos Biodegradáveis

A produção de Resíduos Sólidos Urbanos(RSU) continua a desempenhar um papel importante na nossa sociedade onde o consumismo é cada vez evidente. A consciencialização da população em geral é muito importante para a resolução deste problema. A informação e a sensibilização para estas questões são fundamentais, para que as pessoas sejam confrontadas com o que sucede aos resíduos que produzem diariamente sem se preocuparem com a sua separação adequada, ou com as consequências dos seus actos muitas vezes descuidados.

A deposição de resíduos em Aterro Sanitário, tem sido o método de eliminação mais implementado no nosso Pais, no entanto associam-se a ele algumas desvantagens que poderiam ser ultrapassadas, por adopção de outros tratamentos mais eficazes.

O Plano Nacional para os Resíduos Sólidos Urbanos(PERSU), é bastante claro na definição da metas a atingir, e aponta para construção de aterros e incineradoras, paralelamente com a valorização da matéria orgânica através da Compostagem e incremento da reciclagem. As metas apontadas a longo prazo para esta problemática, evidenciam a necessidade de adoptar medidas até 2005, a fim de valorizar as componentes orgânicas através de processos viáveis e economicamente rentáveis.

A Estratégia Nacional para a Redução de Resíduos Urbanos Biodegradáveis destinados a Aterros (ERB), evidencia a necessidade de uma gestão correcta dos Resíduos Urbanos Biodegradáveis (RUB), uma vez que representam cerca de 60% dos RSU produzidos.

RUB são todos os resíduos urbanos que podem ser sujeitos a decomposição anaeróbia ou aeróbia, como, por exemplo, os resíduos alimentares e de jardim, o papel e o cartão.

Salienta-se ainda, que a deposição de RUB em aterros, levanta alguns problemas ambientais, que a curto/longo prazo se fazem sentir, nomeadamente :
  • a produção de biogás e compostos com impactes ao nível de efeito de estufa
  • produção de odores
  • riscos de explosão;
  • produção de lixiviados com elevada carga orgânica
  • ocupação de volume em aterro
  • assentamentos
O Decreto-Lei n.º 152/2002, de 23 de Maio, relativo à deposição de resíduos em aterros, estabelece a necessidade de definição de uma estratégia nacional para a redução dos resíduos urbanos biodegradáveis.

A Compostagem é um processo de reciclagem da fracção fermentável dos resíduos sólidos urbanos(RSU), que permite tratar os resíduos orgânicos domésticos e resíduos de limpeza de parques e jardins.

Este processo é caracterizado pela decomposição aeróbia dos resíduos a temperaturas elevadas, com crescimento de m\o termofilicos com libertação de energia. Como produto resultante deste processo, temos composto estabilizado, que pode ter aplicação directa no solo como fertilizante.

Uma vez que a componente orgânica constitui metade do fluxo de resíduos produzidos, esta técnica parece ser a mais vantajosa, pois permite reduzir significativamente a quantidade de Resíduos conduzidos a aterro.

O processo de Compostagem pode ser adoptado de formas distintas:
  • grandes instalações centralizadas
  • explorações agrícolas ou agro-pecuárias
  • pequenas unidades de caracter familiar
A qualidade do composto está inteiramente ligada à separação dos resíduos, que se pode efectuar de diversos processos. O processo mais vantajoso, passa por garantir que a separação ocorre na fonte e não representa qualquer risco de contaminação, onde são apenas separados aqueles resíduos que realmente possam ser utilizados no processo por conterem matéria orgânica.. Note-se que na maioria dos casos, os RSU não são separados de forma conveniente, e acabam por conter componentes indesejáveis(pilhas, plásticos, vidros, metais), que acabam por já não ser separados, reduzindo posteriormente a qualidade do composto.

Mais uma vez a consciencialização e sensibilização ambiental, é fundamental para garantir uma solução viável para esta problemática.

Os materiais que podem ser compostados podem ser classificados em castanhos e verdes. Os castanhos são os que contém maior quantidade de carbono (palha, serradura, relva seca) e os verdes, têm maior quantidade de azoto(resto de cozinha, relva fresca). São as quantidades destes compostos que irão contribuir para a rapidez e qualidade do processo.

Exemplos de materiais que podem ser compostados :



Processo da Compostagem : fases

Os microorganismos que se desenvolvem no processo de Compostagem são diversos e variam consoante as fases do processo, sobretudo da temperatura.

Nas primeiras fases, temos temperaturas entre 20 a 40ºC, ocorre a degradação microbiológica de compostos de carbono mais simples (açucares, solúveis, ácidos orgânicos) e dá-se na presença de fungos mesofilicos e termotolerantes.

Posteriormente, a temperatura passa a valores entre 40 a 60 ºC, que promovem o desenvolvimento de bactérias termofilicas/termotolerantes, actinomicetes e fungos, ao mesmo tempo que inactiva os m/o mesofilicos.

As temperaturas acima de 60ºC representam uma redução considerável no que diz respeito à população microbiana, onde a degradação se processa praticamente na totalidade, exceptuando-se a lenhina e celulose. Após o 1º ciclo de metabolização da matéria orgânica dá-se um decréscimo de temperatura(arrefecimento), o que provoca um repovoamento do material da Compostagem. Segue-se a fase da maturação, onde se dá a decomposição de compostos como a lenhina, hemicelulose, celulose, amido e outros polímeros.

Factores que influenciam o processo

A Compostagem é processo biológico, e depende de todos os factores que possam afectar os microorganismos, sobretudo:
  • arejamento
  • humidade
  • temperatura ambiente
  • proporção de carbono\azoto
  • granulometria
  • pH
Este processo apresenta inúmeras vantagens, e quando ocorre em condições favoráveis os resultados são bastante positivos. Este processo pode ser realizado em qualquer zona, desde que se tenha alguns cuidados . Este pode efectuar-se em pilhas expostas ao ar, embora o uso de contentores, ajude a manter a temperatura, e as pilhas limpas.

Em termos ambientais, não apresenta impactes negativos, uma vez que quando controlado, representa uma solução eficaz para a componente orgânica, e tem ainda a vantagem de produzir um produto com aplicação na agricultura. È um processo que permite uma valorização dos resíduos a baixo custo, sem grandes exigências de espaço ou grandes investimentos, e é economicamente viável.




Autora do artigo : Silvia Chambel
Data: 27/05/05
E-mail: info@ideiasambientais.com.pt



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