Artigo da Semana



Incineração uma solução?

A incineração foi vista como uma solução para uma série de problemáticas ambientais, mas terão sido avaliadas as suas incidências ambientais?

Tem sido uma preocupação crescente tornar esta tecnologia segura, mas será isso possivel a 100%? O uso de tecnologias que permitam o controle da poluição, no que diz respeito à qualidade do ar, tem originado outros problemas, devido aos subprodutos, que se traduzem em tratamentos poucos crediveis quer em termos económicos e ambientais.

Solucionar formas de tratamento de resíduos, pode ser definido como: ‘formas optimizadas de destruir lixo’ passa apenas por uma solução temporária, pois o importante seria a sua redução considerável a nivel da produção.

O ciclo de vida é sem duvida um aspecto importante: estudar se o que vamos produzir pode ser reciclado/reutilizado....e senão, como produzir para que assim suceda. Em vez de: ‘vamos produzir, depois logo se trata’....esta mentalidade presente nos dias que correm, só levará a que daqui por uns tempos tenhamos que programar uma fuga para outro planeta.

O importante é não fazer lixo, e não como criar uma máquina que destrua todo o lixo que produzimos.Quando se fala na incineração, à primeira vista parece uma boa solução: afinal libertar aterros e produzir energia só representa vantagens!

A missão de qualquer incinerador não é mais do que queimar todas as substâncias que a sociedade produz, aproveitando eficazmente a energia para gerar calor e/ou eletricidade.

Mas note-se que neste processo forma-se cloreto de hidrogênio, que a maior parte pode ser removida com substâncias abrasivas alcalinas antes que o fluxo de gases deixe a chaminé, mas não necessariamente antes que este gás ácido danifique alguns dos materiais dos quais o incinerador é construído. Forros de forno, tubos condutores e tubos de caldeira precisam de atenção frequente e cara.

Outra questão é o Oxido de nitrogénio, gás neutro que só pode ser removido por sistemas de injecção de amônia ou uréia - reagentes de alta energia são caros. Restante quantidade que não é removida, será convertida pelo sol em dióxido de nitrogênio (NO2), o que contribui para a formação de fumaça fotoquímica e chuva ácida.

Por outro lado, os Metais tóxicos libertados sob a forma de particulas de tão pequenas dimensões que escapam pela chaminé, penetrando pelos pulmões e consequentemente no sangue. O uso de precipitadores electrostáticos e filtros industriais, são uma hipotese, que para o primeiro caso não é eficiente, e no segundo, sujeitos a quebra e bloqueio, além de manutenção cuidadosa.

O mercurio, poluente altamente problemático, é de difícil controle, que é a fonte principal de impactes negativos a nivel de qualidade do ar.O uso de carvão activado absorve o mercurio, mas além de caro, tem que se assegurar que é usado de forma continua. Será que os sistemas de monitorização de emissões de metais tóxicos efectuasse de forma contínua? E o que se faz depois ao mercurio que é absorvido?

Quanto às dioxinas o problema acresce pelo seu indice de risco e pelo facto de que actualmente não existirem sistemas que permitam o seu controle de forma continua, logo convencer a população de que elas não existem poderá representar uma fraca possibilidade.

Um caso real desta problemática foi o incinerador de Indianápolis,que violou seu limite permitido por mais de 6000 vezes, a acrescentar ultrapassagem do limite dos dispositivos de controle de poluição de ar, por dezoito vezes, nos dois primeiros anos de operação.Além disto, em um ano, o incinerador teve 27 falhas nos tubos da caldeira.Não foram contabilizadas as emissões de dioxinas, quando isto sucedeu.

A cinza pode ser de 2 tipos: sedimentada(cai através do sistema de grelha da fornalha –cerca de 90% ) e a em suspensão. No que se refere aos metais tóxicos, é uma verdade química declarar que quanto melhor for o controle de poluição do ar, mais tóxica se torna a cinza em suspensão no ar. A cinza em suspensão é um material altamente tóxico e é automaticamente enviado para instalações de retenção de resíduos de alto risco, sendo muitas vezes ocultado.Para existir um tratamento adequado desta, a incineração tornasse inviavel economicamente.

Outra grande desvantagem é o custo destas instalações que são muito elevados e poucos empregos criados com estas infraestruturas. A acrescentar que representam um desperdicio de energia, que é tão reduzida que não justificam os enormes custos.

As alternativas podem ser diversas e dependem da mentalidade e soluções adoptadas. Os aterros serão sempre uma realidade, embora possam divergir pelo tipo de aterro: cinzas, residuos provenientes da incineração, residuos resultantes de nenhuma separação, ou residuos cuja reciclagem, reutilização,redução e compostagem não seja possivel?

Sistemas integrados de gestão continuam a ser ponto chave da problemática dos residuos, que deve assentar nos seguintes principios:
  1. Manter a solução simples.
  2. Manter a solução no local.
  3. Integrar a solução com a economia local.
  4. Integrar a solução com o desenvolvimento da comunidade local.
  5. Ter a certeza de que a solução é sustentável.
Afinal será que incinerar é vantajoso?




Autora do artigo : Silvia Chambel
Data: 26/08/05
E-mail: info@ideiasambientais.com.pt



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