|
|
|
|
|
|
|
|
Documentos - Energia
1. Fontes de Energia
A energia suporta um grande numero de actividades humanas e é motor essencial para desenvolvimento e melhoria continua da qualidade de vida.
A maior parte da energia é proveniente do sol(excluindo a energia das marés, nuclear e geotérmica). A energia solar é posteriormente convertida em energia química por meio do fenómeno de fotossintese. Posteriormente, esta pode ser usada através da combustão da matéria orgânica vegetal ou noutras formas energéticas.
- Energia renovável
- formas de energia primárias que se encontram disponíveis na natureza e são inesgotáveis, ou que a sua reposição se dá a curto prazo : solar, eólica, hídrica, biomassa, marés, ondas, geotérmica).
- Biomassa
Consoante a sua fonte, a biomassa pode ser designada por :
- Biomassa sólida - provém da agricultura(incluindo substâncias vegetais e animais) da floresta e indústrias conexas e da fracção biodegradável constituinte dos resíduos.
Normalmente seu consumo é por combustão directa.
- Biocombustíveis Gasosos - originária dos efluentes agro-pecuários, da agro-indústria, das lamas das ETA e aterros sanitários. A degradação biológica anaeróbia da componente orgânica existente nestes resíduos, é formada por cerca de 50-70% de metano.
O seu aproveitamento efectua-se através da queima para fins térmicos ou produção de energia eléctrica.
- Biocombustíveis líquidos - são diversos e resultam de culturas energéticas. Temos o Biodisel (de óleos de colza ou girassol), etanol (fermentação de hidratos de carbono)e metanol(síntese do gás natural ou pirólise).
Estes são utilizados como combustíveis para veículos motorizados.
A floresta cobre quase 40% do território Português. A quantificação do potencial energético deste recurso é bastante difícil, devido À situação precária em que se encontram a maioria das florestas portuguesas.
Em termos futuros, este recurso pode representar cerca de 230 Mwe de potência eléctrica(2010). Para isto, seria necessário um Plano Estratégico de Utilização Energética da biomassa, que garantisse uma gestão sustentável do recurso.
No que se refere a biocombustíveis, sobretudo biogás, já se observam algumas evoluções, sendo este maioritariamente resultante da agro-pecuária e suiniculturas. Este representa cerca de 3% do consumo energético português.
Este recurso apresenta inúmeras vantagens de aplicação :
- torna a exploração auto-eficiente em termos energéticos
- permite aproveitamento dos efluentes sólidos resultantes como adubo.
Estimasse que será possível atingir uma potência de cerca de 100 MWe em termos de potência eléctrica injectável na rede.
Quanto aos Biocombustíveis líquidos, existem ainda poucas aplicações. Porém, existem alguns projectos da sua utilização em marcha (em autocarros de lisboa), mas esta aplicação de Biodisel não ultrapassa 10%.
Como já vimos o biodiesel e o etanol poderão constituir uma alternativa aos combustíveis tradicionais. Facto que exige uma série de medidas de âmbito nacional para este recurso, nomeadamente :
- medidas de regulamentação da utilização
- incentivos fiscais e financeiros
- promoção da utilização destes biocombustíveis com misturas de combustíveis convencionais
- Solar
A intensidade da radiação solar que atinge a atmosfera é na ordem de 1373 W/m2. Parte desta radiação é reflectida e outra absorvida. Assim, é possível medir num plano perpendicular à superfície terrestre e em dia de céu limpo 1000W/m2 - radiação global. A radiação solar global, resulta da soma da radiação directa, difusa e reflectida.
A energia solar pode ser utilizada de duas formas distintas:
- activa - obtenção de energia térmica ou eléctrica
- Passiva - aquecimento de edifícios.
Portugal é um dos Países da Europa com maior potencialidade de utilização da energia solar, embora não a faça o suficientemente.
Existem no entanto uma série de programas para a maximização de utilização deste recurso, nomeadamente o Programa E4 (Eficiência Energética e Energias Endógenas) que prevê uma serie de acções e incentivos com vista ao desenvolvimento da energia solar e o sub-programa "Água Quente Solar para Portugal". Temos também a Directiva relativa a produção de energia eléctrica a partir de recursos renováveis. No âmbito do solar térmico passivo, o Plano Nacional de Eficiência Energética dos Edifícios.
Utilização Activa : Presentemente a principal aplicação deste recurso assenta na produção de água quente sanitária (AQS). Apesar de representar um maior investimento na fase inicial, com a utilização, será possível economizar em comparação aos métodos tradicionais.
A titulo de curiosidade :
Comparação de custo médio de um consumo de 50 Litros de água(cerca de 10 minutos de duche) :
Kit solar - 0.080 euros
Energia convencional
- butano - 0.262 euros
- Gás natural - 0.204 euros
- Electricidade - 0.214 euros
Em termos de utilização activa temos ainda alguns exemplos :
- aquecimento de piscinas
- aquecimento do ambiente
- arrefecimento ambiente:
Outra forma de energia solar é a energia solar eléctrica ou fotovoltaica, que consiste na transformação da energia solar em eléctrica. Esta é umas fontes renováveis bastante promissora em termos de utilização, devido ao seu reduzido impacte ambiental, tempo de vida elevado e pouca manutenção.
Embora porém este recurso tenha algumas limitações:
- baixo rendimento
- custos elevados devido aos materiais semicondutores
A aplicação desta fonte apresentasse vantajosa nos seguintes casos:
- electrificação remota
- sistemas autónomos
- aplicação de micro-potência
- integração em edifícios
- veículos
Utilização Passiva - Estratégias construtivas possibilitam o aproveitamento da energia solar para aquecimento de prédios e edifícios com ganhos energéticos na ordem de 40%.
- Eólica
Energia resultante da energia cinética do vento que permite a transformação em energia mecânica(aeromotores) e eléctrica(turbinas eólicas ou aerogeradores).
Para o aproveitamento deste recurso, existem já algumas tecnologias, umas mais recentes e outras já bastante remotas. No caso dos moinhos de vento, é muito usado desde a antiguidade(bombear água, moer cereais). Os aeromotores, são muito usados a nível de extracção de águas de poços. Por fim as turbinas eólicas, que permitem a produção de energia eléctrica.
A maximização de utilização deste recurso prevê-se com o Programa Energia, onde se deve efectuar a avaliação dos potenciais locais de instalação de parques eólicos.
Este recurso levanta no entanto alguns impactes negativos no que se refere ao ambiente que devem ser minimizados:
- ruído
- impacte visual
- influência na fauna e flora
A energia eólica é um dos recursos renováveis bastante potenciais em termos de obtenção de energia em remos futuros, nomeadamente no cumprimento das metas definidas no Protocolo de Quioto no que diz respeito ao aumento de utilização das energias renováveis.
- Geotérmica
A energia que existe sob a forma térmica no interior do planeta, representa uma potência de 10.000 vezes da energia consumida por ano no mundo actualmente.
No nosso País existem essencialmente aproveitamentos de baixa temperatura ou termais. Os açores é um dos arquipélagos continentais com maior interesse neste recurso endógeno, pois estima-se que nos próximos 10 anos seja atingido mais de 30 Mwe.
- Hídrica
A água é um recurso com forte potencial energético, basta pensar nos movimentos das massas de água resultantes do ciclo hidrológico.
A transformação da energia cinética da água por meio de turbinas, permite produzir energia eléctrica, com rendimento de cerca de 80%.
O clima é um dos principais factores condicionantes deste processo, pois a quantidade de água disponível depende também da pluviosidade.
Portugal tem grandes hipóteses de aproveitamento deste recurso energético através do seu potencial hídrico distribuído pelo território nacional, com maior evidencia no Norte e Centro. Para maximizar o seu aproveitamento é importante adoptar medidas concisas que ultrapassem as dificuldades presentes, uma vez que é estimado um potencial para este recurso energético na ordem de 1000Mw.
- Hidrogénio
As propriedades associadas a este elemento químico permitem obter energia eléctrica através de pilhas de combustível, com reduzida emissão de gases de efeito de estufa, assim como, nos transportes possibilita obter emissões zero, podendo mesmo o hidrogénio vir a ser o combustível do futuro.
A maior dificuldade da sua utilização, prende-se ao facto deste elemento se encontrar sempre associado a outros elementos(oxigénio, carbono, etc) .
Actualmente o uso deste recurso ainda se encontra apenas em fase de pequenos projectos, no que se refere a células de combustível. As frotas de autocarros de Lisboa e Porto, poderão vir a ser substituídas por veículos a hidrogénio, dependendo da evolução deste recurso.
Salienta-se porém que já se encontra disponível a primeira pilha de combustível nacional ‘Lucis’, que tem inúmeras aplicações, desde carrinhos de golfe, iluminação em câmaras de vídeo, entre outros.
Este recurso aguarda uma oportunidade de se lançar no mercado nacional como um recurso energético, quem sabe isto não se torne real quando for construída a central de hidrogénio nos Açores.
- Oceanos
Tendo em conta a sua dimensão, força e imensidão, compreende-se facilmente o seu forte potencial energético, sob diversas formas de aproveitamento :
- energia das marés
- diferencial térmico(OTEC)
- correntes marítimas
- energia das ondas
A energia das ondas continua a ter uma das maiores potencialidades, resultando do efeito dos ventos. Tal como sucedia com a energia eólica, depende muito da época sazonal.
As zonas costeiras do nosso pais, são naturalmente favoráveis ao aproveitamento da energia das ondas.
- Energia não renovável
- são as restantes formas que não podem ser repostas num curto ou médio prazo pois o seu processo de formação é extremamente demorado : petróleo, carvão, gás natural.
(topo da pagina)
2. Consumo Energético
O uso excessivo das energias não renováveis, sobretudo do petróleo, começam a levantar algumas problemáticas de caracter ambiental que carecem de ser minimizadas.
A utilização de energias renováveis, ainda é pouco significativa, no entanto as estratégias neste sector apontam para a sua maximização no que diz respeito ao seu uso que é potencialmente grande.
No entanto, é importante a tomada de consciência humana para a gestão harmonizada destes recursos, que apesar de serem mais vantajosos para ambiente, há que saber usá-los de modo sustentável, protegendo e preservando.
Não basta apenas descobrir novas formas de energia, é preciso minimizar o consumo de energia, e este desafio é direccionado a todos nós, que consumimos diariamente este bem. Portugal é muito rico em energias renováveis, no entanto ainda está muito aquém da sua utilização.
A introdução de gás natural deu-se em 1997, e mesmo assim tem-se observado um aumento do consumo de energia primário (onde o consumo de petróleo e electricidade são muito acentuados). O sector de transportes também contribui muito para estas subidas, sobretudo desde década de 90, chegando mesmo a atingir valores de consumo muito próximos da industria.
A recente evolução do preço do petróleo coloca em risco parte do crescimento económico sustentado, uma vez que Portugal tem grande intensidade energética e cerca de 90% da energia consumida é importada. Este facto levou ao aparecimento do Plano para a Redução da Dependência de Portugal face ao Petróleo, datado de 4 de Novembro de 2004.
Os principais objectivos do Plano para a Redução da Dependência de Portugal face ao Petróleo são :
- diminuir a intensidade energética de Portugal até 20 por cento
- reduzir a dependência do petróleo igualmente em cerca de 20 por cento
- aumento significativo da produção de energia realizada através de fontes renováveis
- a liberalização dos mercados energéticos conducente à sua maior eficiência
- incentivos à utilização dos transportes públicos
- incentivos para utilização de energias renováveis e/ou cogeração pela industria
- aumento de eficiência dos processos produtivos
- o aumento da eficiência energética dos edifícios
- promoção da utilização de equipamentos eléctricos mais eficientes
- contribuir para a redução da factura energética
(topo da pagina)
3. Racionalização do Consumo
Cada vez mais, é importante a adopção de metodologias que permitam reduzir consumos específicos de energia, quer no meio industrial quer nas próprias instalações habitacionais.
Optimizar a utilização deste recurso, oferece inúmeras vantagens económicas e ambientais.
Os passos fundamentais de metodologia de diagnostico, são os seguintes :
- Determinar os vários tipos de energia final utilizados;
- Verificar quais os custos que resultam do consumo de energia;
- Determinar custos por sectores, processos, operações ou equipamentos;
- Relacionar o consumo de energia com a produção e/ou o nível de funcionamento da instalação;
- Encontrar soluções que possibilitem diminuir os gastos energéticos;
- Reduzir os custos associados ao consumo energético;
- Criar um plano com as acções a desenvolver e um plano de gestão de energia.
"Oportunidades de Conservação de Energia"- OCE- é uma expressão que define as acções que devem ser consideradas para reduzir os consumos energéticos, ou seja, são todos os procedimentos que têm como objectivo um uso mais racional da energia. Estas medidas destinam-se apenas a evitar desperdícios de energia, não comprometendo o conforto da habitação.
As acções que são propostas podem dividir-se em 3 grupos diferentes:
- Acções sem investimento
: englobam medidas de alteração de comportamento;
- Acções com pequeno/médio investimento
: correspondem a pequenas acções de manutenção ou prevenção;
- Acções com elevado investimento
: correspondem à substituição dos equipamentos.
(topo da pagina)
4. Legislação
Portaria n.º 394/2004 de 19 de Abril - Aprova o Regulamento de Execução da Medida de Apoio ao Aproveitamento do Potencial Energético e Racionalização de Consumos (MAPE). Revoga a Portaria n.º 198/2001, de 13 de Março
Decreto-Lei n.º 15/2004 de 14 de Janeiro - Aprova a orgânica da Direcção-Geral de Geologia e Energia (DGGE)
Portaria n.º 295/2002 de 19 de Março -Regula o procedimento de obtenção das licenças necessárias para produção de energia hidroeléctrica por pequenas centrais hidroeléctricas. Revoga a Portaria n.º 445/88, de 8 de Julho.
Portaria n.º 131/2002 de 9 de Fevereiro - Aprova o Regulamento de Construção e Exploração de Postos de Abastecimento de Combustíveis.
Decreto-Lei n.º 114/2001 de 07 de Abril - Estabelece as disposições aplicáveis à definição de crise energética, à sua declaração e às medidas de carácter excepcional a aplicar nessa situação
Despacho Normativo n.º 20/98 de 19 de Março - Altera o Despacho Normativo n. 11-C/95, de 6 de Março (regulamenta o domínio de intervenção referente à utilização racional de energia nos edifícios não residenciais).
Lei n.º 23/96, de 26 de Julho - Estabelece mecanismos jurídicos destinados a proteger o utente de serviços públicos essenciais, incluindo-se nestes o fornecimento de energia eléctrica. Destes mecanismos consta a participação das organizações representativas dos consumidores, o dever de informação, o dever de notificação previamente à suspensão do fornecimento, o direito à quitação parcial, a qualidade do serviço, a proibição de consumos mínimos, a especificação da factura e as modalidades de prescrição e caducidade.
Decreto-Lei n.º 35/95, de 11 de Fevereiro - Altera o Decreto-Lei n.º 188/88, de 27 de Maio.
Despacho Normativo n.º 11-B/95, de 6 de Fevereiro - Regulamenta o SIURE no que se refere à promoção de projectos de produção de energia eléctrica no âmbito das energias renováveis.
Despacho Normativo n.º 11-C/95 de 06 de Março - Regulamenta o domínio de intervenção referente à utilização racional de energia nos edifícios não residenciais.
Portaria n.º 228/1990, de 27 de Março - Aprova o Regulamento da Gestão do Consumo de Energia para o Sector dos Transportes.
Decreto-Lei n.º 103-C/89, de 4 de Abril - Estabelece o regime a que ficam sujeitas as entidades fornecedoras de energia eléctrica no Continente e os respectivos consumidores. Define o regime de prestação de caução e a suspensão dos fornecimentos de energia eléctrica por incumprimento contratual.
Decreto-Lei n.º 188/88, de 27 de Maio - Cria o Sistema de Incentivos à Utilização Racional de Energia.
Portaria n.º 359/82, de 27 de Abril - Aprova o Regulamento de Gestão do Consumo de Energia.
Decreto-Lei n.º 58/82, de 26 de Fevereiro - Estabelece medidas relativas à elaboração e aprovação dos planos de gestão de energia nas instalações consumidoras.
(topo da pagina)
|
|
|
|