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Bem vindo à nossa Newsletter!
Este mês propomos a leitura de 3 artigos bastante curiosos e que mais uma vez se enquadram no nosso Projecto. Na área do Ambiente “Síndrome de edifício doente” - um tema que tem relevo importante e que merece a nossa atenção especial. Na parte da segurança, apresentamos alguns cuidados a ter no que diz respeito Movimentação manual de cargas. No destaque, um tema bastante actual relativo à erosão costeira “O Mar dá, o Mar tira...”.
Como sugestão bibliográfica, deixamos um livro que também relata questões bem actuais "Alterações Climáticas em Portugal. Cenários, Impactos e Medidas de Adaptação".
Que esta Newsletter vá de encontro às suas expectativas.
Preservar o Ambiente é uma missão universal!
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“Síndrome de edifício doente”
A degradação da qualidade do ar não se faz sentir apenas no exterior, mas também no interior dos edificios, onde a poluição se acumula e pode atingir niveis ainda mais elevados.
Se pensarmos que o ser humano ocupa a maioria do seu tempo no interior destes espaços fechados, a susceptibilidade à exposição a vários poluentes é elevada: poeiras, bactérias, amianto, dióxido e monóxido de carbono, fumo do tabaco, formaldeído, gás radão, compostos orgânicos voláteis e metais pesados.
Este tipo de poluentes, pode ocasionar graves problemas na saúde pública, sobretudo pelos riscos a diversas doenças: alergias, dificuldades respiratórias, dores de cabeças, tonturas, náuseas, irritação dos olhos, da pele e das vias respiratórias, perda de capacidades intelectuais e cancro, sendo as crianças mais sensíveis a estes efeitos.
Diversos estudos mostram que o uso de plantas de interior, minimizam bastante estes impactes negativos e conseguem mesmo reduzir significativamente as concentrações de poluentes.

As plantas de interior desempenham uma importante missão no restabelecimento do equilibrio ecológico do ar que respiramos pela ligação com a natureza no interior de espaços fechados, sendo ainda um elemento decorativo, que nos transmite alegria e bem estar, além de ser um garnde passatempo.
Apesar da sua beleza, servem ainda de alimento a outros seres vivos e podem ter efeitos medicinais, na cura ou melhoria de sintomas de muitas doenças humanas por processos naturais.
Existem diversos factores que podem limitar a sua adaptabilidade ao meio em que se inserem, embora existam plantas que se adaptam a situações adversas.
A melhoria do ambiente através do recurso a estas, exige o conhecimento das condições vegetativas ideais, para garantir o seu desenvolvimento saudável e sua função no meio ambiente.
Assim, a selecção da planta para um determinado local, deve levar em conta os seguintes factores:
- Luz
- Temperatura
- Humidade
- Rega
- Uso de fertilizantes
- Podas
- Propagação
- Doenças
- Pragas
A denominação de uma planta pode ser diversa – nome botânico. Cientificamente a sua designação consiste em duas ou três palavras (género, espécie e subespécie) escritas em latim e em itálico.
A particulariedade associada a cada planta deve ser devidamente identificada, pois só sabendo as suas caracteristicas ou necessidades, a podemos cuidar devidamente e garantir a seu crescimento e função desejada num determinado meio.
Presentemente recorre-se cada vez mais às plantas de interior para descontaminação do ar interior, dado o cheiro agradável que estas possuem podem ser usadas como ambientadores naturais, muito mais favoráveis à saúde pois não possuem elementos quimicos na sua constituição, como é caso da naftalina.
Um ambientador muito simples de fazer e bastante agradável, é ferver àgua com menta, deixar arrefecer e colocar gotas de limão. Outra sugestão, consiste em ferver lentamemte água com folhas de laranjeira frescas. A acrescentar a alfazema e o alecrim, que por si só já têm cheiro bastante agradável.

Um estudo da NASA mostra que através de plantas de interior é possivel reduzir a poluição do ar em interiores em cerca de 80% em poucas horas, sobretudo o benzeno e triclorotileno.
Este fenómeno consiste na absorção dos gases pelas folhas e raizes das plantas e também devido a microorganismos presentes no solo. Afinal estas plantas conseguem transformar o dióxido de carbono em oxigénio e açúcar, pelo processo através do qual produzem a sua energia – fotossintese.
Existem plantas que exercem papel específico na remoção de determinados contaminantes, vejamos alguns exemplos:
- Formaldeido – filodendros, Figueira, Aloe Vera, Milho, Dracena, crisântemo e milho.
- Benzeno – crisântemo, margaridas, lirio, bambú, geribéria.
- Tricloretileno – açucena, crisântemo e lirio
- Xileno – clorofito, Dracena, daráceas (jarro ou arão) e lirio da paz, bandeira branca ou espatifilo
- Amoníaco – tulipa, lirio da paz, bandeira branca ou espatifilo
No caso de habitações e escritórios, a aplicabilidade destas plantas é também bastante favorável. Na remoção do fumo do tabaco e formaldeído emanado pela cola dos aglomerados e papéis de parede, podemos recorrer à Azálea, Árvore-da-borracha e Palmeira. Os cactos, por sua vez, são muito conhecidos pela sua capacidade de absorver as radiações dos ecrâs, pelo que devem ser colocados junto de Tv´s e computadores. Em espaços onde se possam alojar insectos e moscas, nomeadamente pela confecção de comida, deve-se usar a sardinheira.Para remoção da humidade, existente sobretudo nas casas de banho, o manjericão e fetos.
Mas o mundo maravilhoso das plantas não fica por aqui. Estas além de descontaminar o ar, têm ainda outras aplicações curiosas. Por exemplo, nos roupeiros e para guardar a roupa evitando o aparecimento de traças, nada melhor que a Abrótano-fêmea e a salva. No caso de remoção de incrustações nos radiadores dos automóveis, temos a Aleluia.

A utilização das plantas já é originária dos tempos antigos, em que as lavadeiras já usavam o rizoma da saboeira como sabão, isto para não falar do seu papel importante no que se refere à produção industrial, que ai é muito mais vasto: o Evónimo usado como carvão para desenhar, o urze para fabrico de cachimbos, os fósforos são produzidos através do choupo negro, entre outros tantos casos que são no minimo curiosos, e mostram claramente o como estes seres vivos são importantes para nosso desenvolvimento e bem estar social e ecológico.
Nesta área continua a ser fundamental a criação de programas de monitorização, prevenção e controlo. O nosso enquadramento legal, prevê o desenvolvimento e aplicação de uma estratégia para a gestão da qualidade do ar em recintos fechados.
A legislação é essencial para garantir a qualidade de vida da população em geral que passa seu tempo exposta a niveis de concentração elevados em edificios publicos: creches, escolas e estabelecimentos desportivos, nem em edifícios privados, nomeadamente de residência.
A aplicação da Resolução da Assembleia da República nº 24/2003 de 16 de Abril, sobre a utilização de amianto em edifícios públicos já revigora há 5 meses e pouco ainda foi feito neste sentido, sobretudo pela adopção de planos de acção para a eliminação desta susbtÂncia cancerigena nas situações mais graves.
Para finalizar aqui ficam algumas sugestões que complementam o papel das plantas e protegem a sua saúde e a de todos, cumpre a nós seguir estas recomendações:
- Arejar edificios
- Não fumar em locais fechados
- Desligar sempre carro quando estiver na garagem
- Inspeccionar periodicamente todos os sistemas de combustão com particular atenção à ventilação.
- Evitar a acumulação de poeiras.
- Não utilizar produtos de limpeza tóxicos.
- Não utilizar tintas com metais pesados
- Na colocação de carpetes ou realização de pinturas garantir boa ventilação durante vários dias.
- Não utilizar insecticidas ou pesticidas.
- Evitar o uso de ambientadores.
- Não utilizar produtos contendo amianto
- Manutenção dos sistemas de ar condicionado.
Autora: Leonor Chambel Fotografias: António da Cunha e Leonor Chambel
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Movimentação manual de cargas
1. INTRODUÇÃO
Por movimentação manual de cargas, entende-se qualquer operação de elevação e de transporte de uma carga por uma ou mais pessoas.
Esta actividade, quando desenvolvida de uma forma continuada sujeita o corpo humano a grandes esforços, pois envolve a tensão de muitos músculos.
O homem é um meio de transporte caro já que a eficiência do seu motor muscular é muito reduzida.
Face à arreigada sedentarização, oito em cada dez pessoas queixa-se de dores nas costas, devido à falta de exercício, à mecânica incorrecta do corpo e à má postura da coluna.
A ocorrência de acidentes neste tipo de trabalho é consequência de movimentos incorrectos ou de esforços exagerados da coluna em detrimento do esforço muscular das pernas. É por isso que a utilização incorrecta da dinâmica do nosso corpo conduz à destruição dos discos intervertebrais. Surge então a fadiga e por vezes o acidente.
Apesar de cada trabalhador adoptar a técnica de levantamento que lhe é mais cómoda, existem várias REGRAS que se aplicam a todas as situações de levantamento e que adiante veremos.
Como também existem outros riscos associados à elevação e ao transporte manual de cargas, devem ser utilizados equipamentos de protecção individual, tais como: capacete, luvas e calçado de protecção mecânica, como um dos meios eficazes para a protecção de acidentes.
2. COLUNA VERTEBRAL

Os ossos que compõem o esqueleto humano não são pesados, pois o seu conjunto não pesa mais de 15 kg.
Isto deve-se à sua estrutura, pois contêm espaços ocos, cheios de medula de reduzido peso específico, sem que contudo percam solidez.
A coluna vertebral é constituída por 33 vértebras, 5 das quais soldadas, constituindo o osso sacro e por mais 2 ou 3 que formam o cóccix e que se encontram bastante atrofiadas.

Como referimos, a coluna é constituída por 33 vértebras divididas em 5 regiões:
- Região Cervical
- Região Dorsal
- Região Lombar
- Região Sagrada
- Região Coccígena

À medida que se sobe em direcção ao crâneo, a dimensão das vértebras diminui, possuindo contudo as mesmas características.
O empilhamento das 33 vértebras, forma o Canal Raquidiano que protege a Espinal Medula.

Cada vértebra está ligada à seguinte por um disco que não é mais do que uma “almofada” circular com uma espessura que pode variar entre os 0,5 e os 2 cm.
O disco encerra no centro uma massa móvel, gelatinosa e incompressível designada por Núcleo.
Os discos são solicitados durante a maior parte das actividades da vida corrente, marcha, inclinação do tronco, flexões laterais, saltos, corridas, etc, na estática corporal e na imobilidade da coluna.
3. RESISTÊNCIA DA COLUNA À CARGA
Contrariamente ao que acontece com os animais, a coluna vertebral humana está adaptada a uma postura erecta (posição de pé). Não foi concebida para a elevação de cargas, pois no momento da inclinação do tronco, a flexão tem lugar na região lombar.
É por esta razão que 95% das lesões discais se verificam nos 3 discos inferiores onde a sobre-carga é maior, mesmo quando suporta apenas a parte superior do corpo quando inclinado.

O esforço exercido na face inferior do disco intervertebral, origina uma distribuição desigual da pressão sobre os discos.

O esforço exercido sobre as pernas, permanecendo o tronco direito e os braços estendidos, origina uma distribuição igual da pressão sobre os discos.
A vantagem de manter as costas direitas traduz-se na distribuição uniforme dos esforços nos discos intervertebrais, como podemos observar no diagrama de cargas dos discos.

Este diagrama refere-se ao levantamento de um peso de 50 kg, estando o carregador com as costas curvadas 45º (caso A – esquerda) e com as costas direitas (caso B - direita).
Os estudos que existem sobre esta matéria, revelam-nos que quando é necessário levantar um peso de 25 kg, verticalmente e utilizando correctamente o método cinético, é possível que a região das 4ª e 5ª vértebras lombares atinjam uma carga de cerca de 150 kg.
Se o trabalhador curvar ligeiramente o dorso, esta carga eleva-se para valores da ordem dos 300 kg e se arredondar o dorso, este valor pode atingir os 550 kg.

4. REGRAS PARA LEVANTAMENTO DE CARGAS – MÉTODO CINÉTICO
Face ao exposto, para o levantamento correcto de qualquer carga devem seguir-se as seguintes regras:
4.1 - Verificar se as mãos e o próprio volume a levantar não têm óleo ou qualquer outra gordura, a fim de poder retê-lo com firmeza.
4.2 – Verificar se o piso se encontra limpo, sem lixo, gordura ou água, para que possa apoiar-se firmemente e não se expor a quedas.
4.3 – Use luvas se o material a transportar possuir arestas cortantes.

4.4 – Coloque-se de frente para o objecto, mantendo os pés separados para firmar-se bem.

4.5 – Agache-se, dobrando os joelhos e adoptando uma posição cómoda que permita levantar a carga com a coluna vertebral, o mais verticalmente possível.

4.6 – Levante o objecto gradualmente, utilizando o esforço dos músculos das pernas.

Em conclusão, podemos dizer que a maior parte das regras relativas ao levantamento manual de cargas, consistem no seguinte:
- aproximar a carga do corpo;
- suportar a carga com o esqueleto;
- carregar o corpo simetricamente;
- transportar a carga com o corpo direito;
- utilizar meios auxiliares de carregamento.
Para baixar a carga, devem seguir-se as mesmas regras, mas de modo inverso.

Torcer ou rodar o corpo enquanto se sustêm uma carga pesada, está na origem de grande número de lesões na coluna.
Em vez de rodar pela cintura, deve mudar-se a posição dos pés e fazer girar todo o corpo.
A coluna vertebral quando fortemente solicitada não deve inclinar-se para a frente, para trás, nem à volta do seu próprio eixo. Deve apenas servir de elemento de suporte e nunca de articulação como se verifica na figura acima.
Por isso, o LEVANTAMENTO OU DESCARREGAMENTO DE CARGAS NÃO DEVE ESTAR ASSOCIADO À TORSÃO DO TRONCO.
Se for necessário levantar a carga acima da cabeça, esta operação não deve ser efectuada apenas com um só movimento.
Deve colocar-se primeiro a carga sobre um banco ou uma mesa e depois, mudar de posição para a elevar mais acima.
O objecto deve ser deslocado no mesmo plano vertical que o centro de gravidade do corpo, tal como podemos ver nas figuras abaixo.

5. O CONSUMO DE ENERGIA NO TRANSPORTE DE CARGAS
O trabalho muscular é tanto menor quanto mais direito se encontrar o corpo.
Em posição de pé, o homem pode carregar sem perigo e transportar a longas distâncias, cargas convenientemente colocadas sobre si.
Contudo o consumo de energia aumenta da seguinte forma:
- 10%, no transporte de cargas com os braços estendidos ao longo do corpo;
- 20%, no transporte de cargas às costas;
- 40%, no transporte de cargas sobre as ancas;
- 70%, no transporte de cargas apoia no ventre.
6. TRABALHO DE EQUIPA
Deve ser designado um responsável pela manobra, que tem como atribuições:
- avaliar o peso da carga para determinar o número de trabalhadores necessários;
- prever o conjunto da operação;
- explicar a operação;
- colocar os trabalhadores numa boa posição de trabalho;
- repartir os trabalhadores por ordem de estatura, o mais baixo à frente.
7. LEGISLAÇÃO APLICÁVELDecreto-Lei nº 330/93, de 25 de Setembro, relativo às prescrições mínimas de segurança e de saúde na movimentação manual de cargas.
Bibliografia
Universidade do Minho – Eng. Sérgio Miguel
O homem. o seu corpo e espírito – Dr. Markus Plessener
Doenças da coluna – Drs. P. Rigal e CH. Garin
As dores nas costas – Drs. Pasquet, Abanon e Majdalani
Introdução ao estudo do trabalho - OIT
Autor: Armando Tudella
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“O Mar dá, o Mar tira...”
É um fenómeno por vezes silencioso, que atinge o nosso litoral de forma permanente, ainda que o seu principal agente se manifeste de forma abrupta e bela ao mesmo tempo perante os nossos olhos.
Ninguém lhe fica indiferente e são milhares de pessoas, mas também de euros, os atingidos por aquele que é actualmente um dos maiores desafios que o Homem tem para travar para a protecção do equilíbrio ambiental da costa portuguesa, em específico. Falamos da erosão costeira.

Anualmente várias dezenas de quilómetros de praias portuguesas são delapidadas pelas ondas do mar e das suas marés, sendo-lhes subtraídas toneladas de areia, tão necessária para a sustentabilidade dos ecossistemas litorais e das actividades humanas a ela associadas. E é neste último aspecto que reside fundamentalmente a causa do agravamento da erosão costeira. O Homem acelerou este processo natural ao massificar diversas intervenções ligadas ao turismo e ao urbanismo, mas também às questões de aproveitamento energético que o aumento das bacias hidroeléctricas fez surtir ao longo das últimas décadas. Mas na verdade, como se processa o fenómeno da erosão costeira?
O mar pode retirar boa parte de areia de uma praia durante o período de tempestades, para depois colocar tudo de volta, em épocas mais calmas. Porém este processo, que poderíamos designar por natural, possui actualmente e ao longos das últimas décadas contornos de sério agravamento da sua intensidade, devido a vários factores provocados pelo Homem:
- Construção de barragens. Que retêm os sedimentos que seriam necessários para a reposição do volume de areias nas praias;
- Destruição de dunas: Estas estruturas naturais ao serem anuladas das zonas litorais, para darem lugar a habitações e vias rodoviárias, enfraquecem as barreiras que a nossa costa possui para se defender dos impactos do mar;
- Urbanização litoral: Cria um obstáculo físico estático, contrário à movimentação natural das dunas, favorecendo o desequilíbrio do dinamismo entre o ar e a areia. São vários os casos de habitações que se desmoronam por arribas abaixo, devido também ao efeito que os cursos de água que se formam nestes aglomerados habitacionais, através de ruas e sarjetas, os quais criam fendas nas paredes interiores dessas mesmas arribas, resultando na sua queda, arrastando com estas as habitações nelas edificadas;
- Construção de esporões: Destinados a combater o fenómeno da erosão, os esporões possuem um efeito contrário em grande parte dos casos, pois conforme o regime dos ventos e das correntes marítimas, acumulam areia de um lado, mas do outro aceleram o efeito erosivo, aumentando o seu grau. Este processo provocado pelos esporões resulta na maioria das vezes, em processos de planeamento mal elaborados e discordantes do que seria necessário implementar localmente;
- Alterações climáticas: O aumento da temperatura do planeta está a contribuir para o fenómeno da erosão costeira de modo singular. O degelo das calotes polares e o surgimento de novos fenómenos meteorológicos (ex.: El Niño) concorrem para o aumento da subida do nível do mar e para o agravar do seu impacto, sob a forma de violentas tempestades.

As soluções actualmente utilizadas para combater estes processos de erosão costeira, na sua maioria obras de engenharia pesada, são igualmente dispendiosas e infrutíferas, porque apenas pretendem solucionar o que está a jusante do problema e não aquilo que está a montante do mesmo.
No plano legislativo à semelhança do que é habitual no nosso país em matéria de Ambiente, evoluiu-se bastante ao longo das duas últimas décadas, tendo-se criado em específico uma medida jurídica e reguladora que acorre em favor do combate ao fenómeno da erosão costeira. Os Planos de Ordenamento da Orla Costeira (POOC) através do DL n.º 309/93 de 2 de Setembro, definem os condicionamentos, vocações e usos dominantes, bem como a localização de infra-estruturas de apoio a esses usos, e que orientam o desenvolvimento de actividades a elas associadas. São objectivos dos POOC “o ordenamento dos diferentes usos e actividades específicas da orla costeira, a classificação das praias e a regulamentação do uso balnear, a valorização e qualificação das praias consideradas estratégicas por motivos ambientais ou turísticos, a orientação do desenvolvimento de actividades específicas da orla costeira e a defesa e a conservação da Natureza".
Outras medidas se afiguram necessárias para apoiar os POOC na concretização dos seus objectivos. Uma delas será a clara necessidade de combater o fenómeno da “litorização” do nosso país que empurra mais de dois terços da população portuguesa para as malhas urbanas da nossa costa, já excessivamente ocupadas, agravando o impacto populacional sobre a demanda dos recursos costeiros (ex.:construção/ampliação e especulação de zonas habitacionais e turísticas).

Outra será a necessária inclusão de técnicos especializados nos domínios de conhecimento das dinâmicas marítimas nos organismos e entidades que lidam, no âmbito das suas competências institucionais ou empresariais com o litoral e a sua dinâmica ambiental. Esta inclusão favoreceria uma melhor operacionalização destas entidades, consubstanciada em conhecimentos técnico-científicos adequados e validados, os quais evitariam na maioria dos casos, o mau investimento estrutural (ex.: estruturas de recreio ou de negócio), fazendo a poupança de milhões de euros em projectos de valorização ou de “pseudo” recuperação do litoral e dos seus recursos.
Por fim o investimento em energias ambientalmente mais sustentáveis, que favoreçam as necessidades do nosso país, mas que não prejudiquem outros ecossistemas, como são os existentes no nosso litoral. Falamos especificamente nas barragens hidroeléctricas que continuam a ser estruturas contraproducentes no combate à erosão costeira, “barrando” a alimentação de sedimentos às nossas praias, aumentado igualmente o nível de má qualidade da água que as albufeiras comportam, em detrimento da produção da energia eléctrica apenas.
Autor: António da Cunha Fotografias: António da Cunha.
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Sugestão Bibliográfica
"Alterações Climáticas em Portugal. Cenários, Impactos e Medidas de Adaptação".

Esta é uma obra que encerra o conjunto de estudos e de publicações referentes ao Projecto "Alterações Climáticas em Portugal. Cenários, Impactos e Medidas de Adaptação", iniciado e supervisionado desde 1999 por Filipe Duarte Santos.
A primeira publicação no âmbito deste projecto chegou-nos em 2002 em versão inglesa sob o título "Climate Change in Portugal. Scenarios, Impacts and Adaptation Measures - SIAM Project".
Volvidos 4 anos a publicação deste novo livro interpela os diversos actores sociais (públicos e privados) face à sua responsabilidade perante este tema e na necessária tomada de acções para a minimização dos actuais fenómenos climáticos, que afectam de modo irreversível em alguns casos o nosso planeta.
F. D. Santos, P. Miranda, "Alterações Climáticas em Portugal. Cenários, Impactos e Medidas de Adaptação", Lisboa, Gradiva, 2006, 506 p.
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- Resolução da Assembleia da República n.º19/2006 - Gestão ambiental dos campos de golfe
- Portaria n.º222/2006 - Estabelece os requisitos das entidades gestoras das zonas de intervenção florestal (ZIF)
- Decreto n.º12/2006 - Aprova o Protocolo sobre a Prevenção, Actuação e Cooperação no Combate à Poluição por Substâncias Nocivas e potencialmente Perigosas, adoptado em 15 de Março de 2000
- Decreto-Lei n.º62/2006 - Transpõe para a ordem jurídica nacional a Directiva n.º30/CE/2003 , do Parlamento Europeu e do Conselho, de 8 de Maio, relativa à promoção da utilização de biocombustíveis ou de outros combustíveis renováveis nos transportes
- Decreto-Lei n.º65/2006 - Estabelece os mecanismos necessários à execução do Regulamento (CE) n.º850/2004 , de 29 de Abril, relativo a poluentes orgânicos persistentes
- Decreto-Lei n.º66/2006 - Altera o Código dos Impostos Especiais de Consumo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º566/99, de 22 de Dezembro, consagrando isenção parcial e total do imposto sobre os produtos petrolíferos e energéticos (ISP) aos biocombustíveis, quando incorporados na gasolina e no gasóleo, utilizados nos transportes
- Decreto-Lei n.º71/2006 - Cria o Fundo Português de Carbono
- Decreto-Lei n.º72/2006 - Terceira alteração ao regime do comércio de licenças de emissão de gases com efeito de estufa, aprovado pelo Decreto-Lei n.º233/2004, de 14 de Dezembro, transpondo para a ordem jurídica nacional a Directiva n.º101/CE/2004 , do Parlamento Europeu e do Conselho, de 27 de Outubro
- Resolução do Conselho de Ministros n.º33/2006 - Atribui à Comissão para as Alterações Climáticas, criada pela Resolução do Conselho de Ministros n.º72/98, de 29 de Junho, a qualidade de autoridade nacional designada para os mecanismos de flexibilidade do Protocolo de Quioto"
- Decreto-Lei n.º77/2006 - Complementa a transposição da Directiva n.º60/CE/2000 , do Parlamento Europeu e do Conselho, de 23 de Outubro, que estabelece um quadro de acção comunitária no domínio da política da água, em desenvolvimento do regime fixado na Lei n.º58/2005, de 29 de Dezembro
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