A Terra Gelada

As águas calmas, o nascer do Sol e o Luar suavizam a noite antártica... este continente tão frio, com clima seco e ventoso, mas de rara beleza – a Terra Gelada.

Situado na região polar austral constitui uma massa continental, localizada quase inteiramente dentro do círculo polar antártico. Com limites imprecisos, encontra-se rodeado pelo Oceano Antártico, formado pelo encontro das águas dos Oceanos Atlântico, Pacífico e Índico, a chamada Confluência Antártica. A Antártica encontra-se dividida em 2 partes: a maior – Antártida Oriental ("plateau" elevado e coberto por gelo) e a menor – Antártida Ocidental (arquipélago de ilhas montanhosas, cobertas e ligadas entre si por gelo). Em termos ambientais, os ecossistemas terrestres predominantes caracterizam-se pela sua descontinuidade, condições inóspitas, baixa diversidade específica e taxas de crescimento muito lentas. Estes factores evidenciam a necessidade da sua preservação e protecção ambiental. Relativamente aos ecossistemas marítimos estes apresentam já alguma continuidade, com 36 milhões de quilómetros quadrados de extensão, possuindo maior capacidade de absorver impactos. As condições ambientais são menos extremas e sua diversidade é bastante superior, o que não significa uma exploração indiscriminada.

O Tratado da Antártida, que evidência a necessidade de metodologias conservacionistas, elaborou, em 1964, as "Medidas de Conservação da Flora e da Fauna Antártica", aplicáveis a todo território e a áreas ao sul do paralelo 60*S. Propuseram-se códigos de conduta para visitantes, procedimentos para tratamento de resíduos e avaliação e controlo do impacto ambiental causado pelo homem na região antártica.A nível de resíduos, é interdita a eliminação de qualquer resíduo para o meio ambiente. Estes devem ser devidamente acondicionados. Os resíduos orgânicos (papéis e pedaços de madeira) são incinerados em condições atmosféricas favoráveis.As cinzas restantes e os restantes resíduos são removidos da Antártica pelo NApOc Ary Rongel. As latas e metais dóceis são compactados e embalados em caixas plásticas resistentes; vidros e garrafas são moídos e também colocados em caixas plásticas apropriadas. Também se encontram normalizados os procedimentos a considerar relativamente aos sistemas de drenagem de águ as, de forma a garantir a sua correcta gestão, manutenção e funcionamento.





Existe ainda o Grupo de Avaliação Ambiental, que tem como missão garantir o cumprimento dos parâmetros previstos no "Protocolo do Tratado da Antártida sobre a Protecção do Meio Ambiente", conhecido como "Protocolo de Madrid". Assim, será possível avaliar e acompanhar todas as actividades efectuadas, de forma a minimizar o seu impacte ambiental, sobretudo a nível de clima, efeitos prejudiciais significativos, que se poderão sentir a nível de:
  • Qualidade da água e do ar
  • Mudanças significativas no meio ambiente atmosférico, terrestre (incluindo o aquático), glacial e marinho
  • Mudanças prejudiciais na distribuição, quantidade ou produtividade das espécies ou populações de espécies da fauna e da flora
  • Perigos adicionais para as espécies ameaçadas ou em perigo de extinção e a degradação ou o risco substancial de degradação de áreas de importância biológica, científica, histórica, estética ou de vida silvestre.

Deste modo, será dada prioridade à preservação do ecossistema e à pesquisa científica, incluindo as pesquisas essenciais para a compreensão do meio ambiente global.

No entanto, este paraíso, também se encontra incluído num outro cenário que se mostra pouco animador – As alterações climáticas/efeito de estufa, que podem colocar em risco a sua existência, devido ao aquecimento global e subida do nível do mar. As alterações climáticas cada vez mais impetuosas e de maior amplitude, são a principal causa do aumento da temperatura global que se faz sentir em todo o planeta. Por outro lado, o aumento do nível do mar, devido a alterações do fluxo de correntes e fusão de glaciares. Em 1994 na Índia, 350 vítimas morreram devido a uma grande onda de calor que atingiu 49ºC, sendo a mais alta dos últimos 102 anos. No ano seguinte o cenário foi ainda mais catastrófico, vitimando 550 pessoas neste mesmo continente. Em situação inversa, mas não menos agradável, temperaturas de 35ºC negativos registavam-se na Ucrânia....se uns não sabiam como se proteger do calor abrasador, outros não tinham forma de se proteger do frio gélido que se fazia sentir.

O desenvolvimento mundial que se tem vindo a registar em nada tem contribuído para uma mudança de cenário, muito pelo contrário! As alterações climáticas, começam a ser evidentes por tudo o mundo, com consequências graves a curto e longo prazo. As consequências destas mudanças ambientais são graves, desde, perdas de habitat, morte de pessoas, cortes de luz e falta de água e danificações na rede telefónica, poços secos, entre outros. Os glaciares do antártico têm sofrido grandes perdas, sobretudo no final dos anos 90, valores de fusão anual subiram de 100Km2 para 540 Km2 num período de cerca de 9 – 18 anos. A Antártida está coberta com cerca de 95% da água doce do planeta. Apesar das temperaturas muito baixas e do frio imenso,estudos mostram que a fusão ao nível inferior (na junção da terra e o mar) é cada vez mais rápida e cada vez mais acelerada devido ao aumento da temperatura global que se faz sentir.

Esta situação também é evidente nos restantes continentes, onde a maioria dos glaciares sofre perdas consideráveis.

Como exemplo temos os glaciares de Hintereisferner (Áustria), Gries (Suiça) e Sarennes (França) que sofreram perdas de cerca de 14 metros de espessura desde 1960. De um modo geral atribui-se como causa principal o efeito de estufa, que resulta maioritariamente da acção humana e desenvolvimento económico e social, associados à industrialização e à existência de práticas pouco correctas a nível ambiental. O ser humano como ser pródigo em poluir o meio ambiente não tem consciência da dimensão que esta problemática começa a apresentar. O conhecido fenómeno “El Niño”, fenómeno resultante do aquecimento das águas do Oceano Pacifico, provoca alterações climáticas a nível mundial: secas severas, inundações devastadoras, alterações na vida marinha, tempestades tropicais, entre outros. Pelo que parece, não será muito possível, atribuir ao homem a causa do “El Niño”, seria necessário muita imaginação!

As causas associadas a este fenómeno ainda estão em estudo, havendo quem diga que o fenómeno se dá de 7 em 7 anos, outros de 3 em 3, mas nenhum, consegue explicar o porquê! Os glaciares do Antártico albergam os mais raros organismos e ecossistemas da Terra daí o seu grande valor em termos ambientais e de preservação de ecossistemas naturais. O conhecido verme do gelo, que se alimenta de algas glaciais e vive inteiramente no gelo, é um organismo bastante curioso, do qual ainda não foi possível desvendar o que o permite adaptar-se aquele meio, dado que vive a º0C mas que se desintegra a 5ºC. Este mistério poderá ficar escondido no tempo... Como consequência do aumento do nível do mar, colocamos em causa a preservação dos recifes de coral. Uma vez que a penetração da luz no mar tem as suas limitações. Assim, quanto maior for a profundidade, consequente do aumento do nível do mar, maior será a dificuldade do recife de coral em captar a luz, e isso poderá impossibilitar a realização do imprescindível processo de obtenção de energia – fotossíntese, colocando em risco a subsistência do mesmo.





As alterações climáticas merecem hoje maior destaque, dado que entrou no dia 29 de Novembro de 2005 em vigor o Protocolo de Kyoto. Este Protocolo, estabelece as medidas de combate ao aquecimento global, no entanto, não conta com a presença do maior emissor de Gases efeito estufa – EUA. O principal objectivo consiste na redução em cerca de 5.2% em média das emissões da atmosfera dos seis gases que provocam o efeito estufa: dióxido de carbono, metano, óxido nitroso, hidrofluocarbono, perfluorocarbono e o hexafluorocarbono de enxofre – entre 2008 e 2012. È sem dúvida importante a adopção de medidas que minimizem os impactos ambientais das alterações climáticas, apostando grandemente na consciencialização humana para a preservação e protecção de zonas de maior risco e de tão elevado valor ambiental – como é o caso da Antártida.

Nota: As fotos incluídas neste artigo foram realizadas no Chile e na Argentina.




Autores do artigo : Silvia Chambel
Fotografias: Artur V. Oliveira
Data: 06/01/06
E-mail: info@ideiasambientais.com.pt e info@terranatur.com



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